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DEATH:
1684 DE ÓBIDOS
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^ Born
on 22 July 1882: Edward Hopper, US
Scene painter who died on 15 May 1967. He studied under Robert
Henri. Edward Hopper was the quintessential realist painter of
twentieth-century America. His images have become part of the very
grain and texture of American experience, and even today, thirty years
after his death, it is all but impossible to see America without some
refraction through them. |
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Died on 22 July 1684: Josefa Gomes
de Óbidos de Ayala, Spanish Portuguese Baroque Era
painter born in 1630. Josefa de Ayala (or de Óbidos) was born in Seville, Spain. Her father was a Portuguese artist named Baltazar Gomes Figueira. Some time in her adult life, Josefa returned to Portugal where she conducted he professional life as an artist. Her versatility is demonstrated by the range of genres she undertook including still life studies, portraits, religious themes, and allegorical subjects. One of her surviving paintings is that of the Marriage of Saint Catherine now at the Museu Nacional de Arte in Antigua, Lisbon. During her life time, Ayala was sufficiently well-regarded as an artist to be elected to the Lisbon Academy. Josefa de Óbidos' elaborate still-lifes and religious paintings have long been admired by the Portuguese for their exceptional beauty and profound symbolism. The technical brilliance and elaborate symbolism these masterpieces provide modern viewers with a window into the spirit of seventeenth-century Portugal. Josefa de Óbidos (or de Ayala) began her artistic career in the manner available to women in the seventeenth century: by training with her father, artist Baltazar Gomes Figueira. She studied his personal collection of prints and paintings and the works of Francisco de Herrera, a prominent artist in Seville. She drew inspiration from prints of Spanish, Italian, Flemish, and French paintings, as well as from paintings by Portuguese artists, most notably André Reinoso. By the age of 15, Josefa de Óbidos was adept at producing technically sophisticated engravings. She soon mastered miniature painting, a skill she applied in her paintings on copper. She is also mentioned in early literature as a woman who painted "for curiosity's sake," which suggests that she painted for her own pleasure. Although highly influenced and influential, her life was circumscribed by the walled, provincial city of Óbidos and by the Augustine convent in which she was educated. Her lifelong affiliation with the Carmelites and the Franciscans is reflected in the profound symbolism of both her still-life and religious paintings. Despite her cloister-like lifestyle, her work suggests a sophisticated understanding of artistic trends in continental sixteenth and seventeenth-century European art. Josefa de Óbidos was an anomaly for her time. She did not marry and earned her living by her painting and as a property owner and landlord. De Óbidos's works demonstrate that the baroque age in Portugal successfully combined local tradition with other European influences. Many of her oil paintings were executed on copper, a typical Portuguese practice, and her depictions of the Infant Christ bear a striking resemblance to the polychrome wooden sculptures seen in the streets of Óbidos during religious holidays. She also frequently looked to images and compositions in Flemish, French, and Italian prints. As the title of the exhibition asserts, the works have both sacred and profane content. Her religious paintings, many commissioned by churches and convents, portray subjects from the life of Christ and the Holy Family. Josefa de Óbidos drew upon a vast storehouse of imagery and meaning taken from the scriptures, the Apocrypha, hagiographies, and the writings of saints. Although her imagery and symbolic details are not readily recognizable to today's viewer, her ideas and representations were part of a visual and literary language understood by the erudite patrons who commissioned her works. For example, in The Child Jesus as Savior of the World, the Christ Child is surrounded by garlands of flowers tied by scarlet cords. The flowers and fruits that seem to serve as fanciful filler in fact contribute to the overall meaning of the painting. The peonies in the garland symbolize salvation and chastity; the lilies, purity; and the white and red roses, patience and martyrdom. Far from mere decoration, the wreath likely functioned as an object for nuns' pious mediation on the life of Christ. At first sight the secular or "profane" imagery of Josefa de Óbidos's still-life paintings seems a marked contrast to her religious works. These still-lifes depict in lavish detail traditional Portuguese cakes, sweets, and flowers. Sweet and savory pastries, pine nuts in honey, and tiny cheese cakes in the shape of crustaceans are provocatively displayed in wood boxes and on silver plates in Still Life with Sweets and Earthenware Urn. Another layer of meaning unfolds when the symbolism of the food and decorative elements is deciphered and the "profane" is elevated to the "sacred." During the baroque era, nuns were celebrated for their skills in making cakes and confections. Foods with a sweet taste were considered to represent the sweetness of the Infant Christ. Josefa often used food and flowers associated with religious holidays and saints as objects in her still-life paintings. Yet these same foods sugary confections, butter, and cream also connoted excess and gluttony. Josefa's still-lifes therefore present a moralistic message: they invite the viewer to savor the virtuous offerings, but also serve to remind that pleasure in excess can lead to vice. Thus Josefa de Óbidos's artistic prowess can transform the simplicity of ordinary objects earthenware, fruit, and bread into paintings that are fraught with meaning and spirituality. For centuries, Josefa de Óbidos was almost exclusively known for her still-life paintings, which set before the viewer splendors of holiday feasts. Today she is recognized in Portugal for the full scope of her accomplishments as a painter of deeply-layered religious masterpieces as well. |
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"Como bem afirmou o historiador de arte Luís de Moura Sobral,
em análise recente a propósito de Josefa de Óbidos, "o maior mérito da
pintora reside em ter logrado transmitir-nos com incomparável fidelidade
a concepção barroca de uma religiosidade de rendinhas, glutona e ao fim
e ao cabo sublime, na sua patétitca inocência". Trata-se de uma síntese bastante correcta, de facto, porquanto põe o que de mais característico e pessoal existe nas obras desta artista considerada de grande destaque no século XVII português: a sua ingenuidade pura, a sua atitude de distância com o alinhamento com os valores naturalistas sevilhanos, a sua dimensão essencialmente periférica no quadro de uma "corte de aldeia" como era a vila de Óbidos de então, o seu pessoalizado gosto ingénuo e feminil, tudo características próprias de um percurso artístico que tem tanto de enlevante, carinhoso e sedutor, no seu figurino "sui generis", como limitado de referências externas e de complexos pressupostos de significação emblemática, no quadro de um empirismo formador em que um imaginário inato, dócil e inocente se abre às ardências da modernidade disponível. Também o Professor Charles Sterling, na reedição do clássico La Nature Morte de l'Antiquité au XXè siècle (1985) [livro onde, aliás, tem honras de capa um notabilissimo bodegón do pai de Josefa de Óbidos], define a pintora portuguesa como artista de "charmante gaucherie provinciale", frase que seguramente valoriza o sentido "periférico" do seu perfil pictórico e a ingenuidade das suas aptidões inventivas. Aliás, o próprio cortejo dos "bodegones" de Josefa com os dos valencianos Miguel March (1635-1670) e Thomas Yepes (1610-1674), avançado por Sterling, ou ainda com a parisiense Louise Moillon (1610-1696), sugerido por Moura Sobral, parece mais exacto que os exagerados confrontos face a Van der Hamen, ou mesmo com um La Tour, por exemplo, pois define um idêntico posicionamento ideológico da artista face ao seu meio. É essencial, portanto, compreender-se o ambiente exacto da formação estética desta pintora barroca: ela nasce para a arte em que notavelmente se afirmou num contexto limitado de pressupostos referenciais, mundo esse que é, por um lado, discretamente anti-maneirista ( no repúdio às convenções formais da geração anterior) e, por outro, claramente naturalista, no seu alinhamento e fórmulas comuns às da grande pintura de Siglo d'Oro espanhol. Como diria o poeta João Miguel Fernandes Jorge: "ela conheceu o seu século quase não saindo das muralhas de Óbidos"... Tudo se passa em Óbidos, nessa "corte de aldeia" então florescente de ideias, de debates teóricos, de tertúlias literárias e artísticas, onde os esbatidos valores do Barroco internacional se filtravam na dimensão das necessidades provinciais. Em boa verdade, Josefa não é uma pintora zurbaranesca na autêntica acepção do termo (como repetidanente se tem afirmado), nem mesmo seguiu as agitadas vibrações de mancha vaporosa do seu padrinho sevilhano Francisco de Herrera, el Viejo, tão-pouco entendeu a magia claro-escurista do movimento «caravagesco» internacional, muito menos assumiu a complexa simbologia do «bodegón» espanhol de um Van der Hamen ou de um Sánchez Cotán, feito de preciosismos de síntese e requintes de modelação lumínica, enfim, só em termos afectivos poderá ser confrontada com a luz de um Georges Ia Tour, com as trevas de um Caravaggio... Josefa é uma grande pintora do Seiscentismo peninsular precisamente porque soube assumir, por via não-erudita (com uma grande dose de "ingénua espontaneidade, senão de «original inocência»), uma interessantissima veia provincial entendida até às últimas consequências. Com uma grande pintora tratamos, de facto: as suas -"Naturezas Mortas», os seus «Cordeiros Pascais», os seus «Meninos Jesus" engrinaldados de flores, têm qualidades plásticas que superam o mero nível etnográfico ou pitoresco, na medida em que conseguem descodificar o frio carácter simbólico-moralizador da pintura barroca mais erudita, a pintura espanhola de um Francisco de Zurbarán, um Sánchez Cotán, um Van der Hamen, um Alessandro de Loarte, os mais regionalistas ThomasYepes, Miguel March,Blas de Ledesma, por exemplo, em que indirectamente se inspiram. O «lado lberístico" da arte de Josefa de Obidos, colheu-o a pintora, sobretudo, no estudo das obras de Baltazar Gomes Figueira, o seu pai. que se formara em Sevilha nos anos 20 da centúria e que regressara a Portugal, em 1634, imbuído de um forte gosto naturalista-tenebrista de sinal zurbaranesco, gosto esse refrescante e ainda inovador numa sociedade em crise de valores e revoltada pelas prepotências do poder centralizador filipino da União Ibérica. osefa é a mais conhecida pintora do Barroco português precisamente por essa rara intuição poética, isenta de peias academizantes no seu desenho livre e na sua paleta solta, de que quase sempre as suas pinturas nos dão mostras. Em Josefa há uma «liberdade de fazer» que surpreende. Ao contrário de Baltazar, excelente pintor profissional de retratos, de paisagens e de 'bodegones", na filha existe tão-só "curiosidade", na mais ampla acepção que o termo pode comportar, pois algumas das peças expostas são verdadeiras obras-primas sui-generis, que interessam a História da Arte europeia do século XVII. O interesse da presente Exposição, que reune o maior acervo de obras joséficas jamais exposto à observação dos estudiosos e do público em geral, não se limita só à amostragem dessa frescura perene das obras de Josefa (e de Baltazar), antes nos convida à comunhão com valores artísticos de intensa modernidade, afinal menos afastados do nosso imaginário e do nosso mundo de referências sensíveis do que à partida se poderia imaginar... ... |
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O conhecimento biográfico sobre a pintora
seiscentista portuguesa Josefa de Ayala e Cabrera, celebrizada com o
epíteto de Josefa dÓbidos dada a fórmula toponímica com que assinou boa
parte das suas produções, resumia-se a uma série de referências laudatórias
e a um restrito acervo de documentos arquivísticos. Além das afirmações elogiosas que Féilx da Costa Meesen produziu em 1696 a respeito de Josefa, louvando a sua «limpeza e propriedade» ao imitar «as couzas pelo natural», o esicritor Damião de Froes Perym exalta, em livro de 1736, o «engenho», «formusura», «honestidade» e «simpatia» desta pintora, a quem louva sobretudo as «virtudes morais», e o Beneficiado José Silvestre Seabra, num longo manuscrito já do século XIX, biografa a pintora obidense com laivos de fantasia misturados com dados que hoje se apura serem precisos. Mas não foram apenas estes três autores os biógrafos de Josefa muitos outros autores dos séculos XVIII e XIX citam com encómio a figura e as obras desta mulher-pintora sediada na vila de Óbidos, especialista, segundo um deles (Ribeiro dos Santos), nas pinturas de flores e «objectos inanimados», segundo outros (Garrett) no género retratistico, segundo outros ainda (Cvrillo) na gravura e na miniatura... Mas os traços da formação e da existência da artista permanecem obscuros e a obra pictórica que se lhe atribuía surgia contaminada por muitas dezenas de telas e cobres que com toda a evidência se verificava serem de outros pincéis, senão mesmo de outras épocas e outras escolas... Na munerosa bibliografia compulsada, em catálogos e inventários, estudos monográficos, etc., apareciam e aparecem diversíssimas obras, tradicionalmente tributadas a Josefa de Óbidos, mas que, na realidade, ou são de escola sevilhana ou castelhana, ou de pintores nacionais (como Diogo Teixeira, Lourenço de Salzedo, Domingos Vieira, António de Oliveria de Louredo, Bento Coelho da Silveira), ou do seu pai Baltazar Gomes Figueira... O trabalho moroso de pesquisa, que se impunha, levou a que fossem explorados, dentro de um ambicioso plano metodizado, diversos arquivos nacionais e estrangeiros, e criteriosamente analisadas centenas de telas, tábuas, cobres e gravuras, estudadas quer em referência à realidade portuguesa coetânea, quer em cotejo com outras obras de mestres espanhóis, italianos e flamengos do mesmo século, o que conduziu a uma nova e mais sedutora visionação da figura de Josefa. Mistérios considerados insolúveis, caso da data certa e lugar de nascimento (averiguados através de documento em boa hora localizado pela investigadora Dra. Alfonsa de la Torre), caso da sua formação estética (durante tanto tempo alvo de deslocadas e erróneas considerações), caso das suas relações de trabalho, de mercado e de ideologia, caso do seu próprio estatuto de artista que "pintava por curiosidade" (no exacto dizer de um dos seus biógrafos), caso ainda da sua frequente inspiração em gravuras italo-flamengas e francesas (conforme provou a investigação conduzida por Luís de Moura Sobral), tornam-se hoje assuntos cabalmente esclarecidos. Quem era afinal Josefa de Ayala e Cabrera? Nasceu em Fevereiro de 1630 na paróquia de S. Vicente de Sevilha, aí sendo baptizada a 20 desse mês, conforme comprovou recentemente Alfonsa de la Torre. Era filha de D. Catarina de Ayala Camacho Cabrera Romero, nobre andaluza, e do excelente pintor português Baltazar Gomes Figueira, que aí se estabelecera em 1626 para seguir efémera carreira militar, e que em 1631 recebera carta de examinação de pintor. Foi apadrinhada por um célebre pintor sevilhano, Francisco de Herrera el Viejo, com cujo estilo barroquista vaporoso e "solto" nem a sua arte nem a de seu pai têm, todavia, pontos de contacto. O regresso a Portugal de Baltazar e D. Catarina, ocorrido no ano de 1634 (encontramo-lo já abundantemente documentado nos anos seguintes, em documentos de Peniche e de Óbidos realacionados com a sua actividade profissional), deveu-se menos à sua acção conspirativa a favor da causa dos Braganças (de quem foi, todavia, fervoroso adepto), e sim a questões judiciais que o haviam transformado "persona non grata" na capital andaluza, segundo apurou Alfonsa de la Torre. Não se sabe se Josefa regressou logo a Portugal, com seus pais e a irmã Luísa (nascida em 1632), se ficou em Sevilha os tenros anos de infância, junto ao seu avô materno Juan Ortiz de Ayala e ao seu padrinho Francisco de Herrera, voltando apenas na sequência da Restauração. É certo que Baltazar e D. Catarina se estabeleceram em Peniche, primeiro (onde Baltazar pinta nas igrejas e onde, em 1635, nasce Basília), e definitivamente em Óbidos, terra natal do pintor, onde nascerão ao casal os filhos Francisco (1634), José (1637), Antónia (1639) e José (1643). Ao todo Josefa teve sete irmãos, três dos quais precocemente falecidos. A documentação dos arquivos da Estremadura portuguesa, em grande parte totalmente inédita, ilumina-nos sobre o ambiente vivido pelos Gomes Figueira, seu nível mediano de existência, seu aro restrito de trabalho, e é certamente neste quadro regional que Josefa - que nunca viajou a Itália ou à Flandres, como algumas lendas fantasistas teceram, nem tão pouco terá retornado alguma vez à sua Andaluzia natal - pode ser explicada nas suas muitas aptidões picturais e no seu mundo limitado de referências... A artista passou a sua vida madura, de facto, nesse terno ambiente de província centrada nas ruas de Óbidos amuralhada, no aprazível repouso do seu Casal da Capeleira, ao sopro marinho da Lagoa, no bulício da feira das Caldas ou da lota de Peniche, em romagens à Nazaré, na quietude amorável da mata do Bussaco, ou mais raramente em alguma viagem de retorno a Coimbra. |
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Em 1644, pelo menos, Josefa já estava instalada em Coimbra, supõe-se
que no Convento agostinho de Sant'Ana dessa cidade, na qualidade de "donzela
emancipada de seus pais", recebendo ensinamentos religiosos (estaria
inicialmente destinada a seguir vida freirática) e os primeiros rudimentos
artísticos. A fama de seu pai Baltazar, ao tempo apelidado de "o sevilhano"
precisamente pelo forte naturalismo tenebrista de que as suas telas religiosas
estavam impregnadas, leva-o a que seja chamado a pintar na cidade universitária
voltosas obras, como o retábulo-mor da Igreja da Graça, desse mesmo ano
de 1644, obras essas que vão ter uma tão decisiva importância na formação
da personalidade de Josefa, na realidade muito mais devedora da arte
de seu pai do que sempre se julgou... Vendo-se atentamente a tela do
"Nascimento da Virgem" do retábulo da Graça, por exemplo, aí encontramos,
surpresos, os mesmos tipos de figurinos dos primeiros cobres, o mesmo
tapete persa, o mesmo "arrumo" de peças acessórias! De resto, as primeiras obras de Josefa, executadas em Coimbra, caso das gravuras de "Santa Catarina" e de "S. José", de 1646 - abertas a buril aos quinze ou dezasseis anos apenas mas já reveladoras de uma mão dextra -, e dos cobres "Casamento místico de Santa Catarina" (Museus de Lisboa e Porto) e "S. Francisco e Santa Clara adorando o Menino" (col. part.), de 1647, mostram-nos uma artista já plenamente adestrada na técnica da miniatura barroca hábil de pincel, boa definidora de contrastes claro-escuristas e de acessórios "ao natural", seguindo cânones da pintura sevilhana a partir da orientação de Baltazar, seu verdadeiro mestre, e inspirada em estampas italo-flamengas que existiam, em quantidade, na residência obidense de Baltazar. Josefa não seguiu, por motivos ignotos, a via religiosa para que o seu recolhimento em mosteiros como Sant'Ana de Coimbra e Semide parecia apontar. Regressa a Óbidos, para junto dos seus familiares, aí executa em 1653 uma gravura da "Sabedoria" para os novos Estatutos da Universidade de Coimbra (cuja portada é entretanto desenhada por Baltazar, mediante pagamento bastante avantajado), pinta telas como o "Pentecostes" destinado a um altar da Sé Nova da mesma cidade de Coimbra, e uma série de miniaturas excelentes, requintadas de modelação luminosa e já assaz características de um "receituário" pessoalizado de rostos, mãos e tecidos, "receituário" esse depois repetido até à exaustão nas obras maduras e tardias. Mais raras, algumas encomendas retabulares públicas - como a da Ermida de Santa Justa e Santa Rufina na Columbeira (Bombarral), a do altar de Santa Catarina na Igreja de Santa Maria de Óbidos (1661), e a do arco-mestre da Ermida de S. Brás de Dagorda - desenvolvem com saboroso charme e típica desenvoltura o mesmo pessoalizado vocabulário; de facto, o estilo joséfico desde muito cedo se afirmou em termos de absoluta individualização, a ponto de as obras da artista, mesmo quando não assinadas ou documentadas, serem facilmente reconhecíveis. Não existem contactos directos de Josefa com a pintura espanhola do Siglo d'Oro (muito embora Baltazar possuisse, na sua casa à Rua Nova, em Óbidos grandes colecções de quadros e de estampas, onde talvez se incluissem originais de mestres andaluzes): lá havia, por exemplo, segundo se lê no precioso inventário de bens, inédito, de 1675, dois quadros de "Cordeiros Pascais", certamente de tipo zurbaranesco. Josefa deleita-se mais no estudo de obras disponíveis ao seu olhar como eram naturalmente as de seu pai, e as que o naturalista André Reinoso, de Lisboa, pintara em 1628-30 na Igreja da Misericórdia de Óbidos e no convento de S. Miguel das Gaeiras. Tais pinturas constituiam novidade absoluta, em termos plásticos, formais e compositivos, pois repudiavam a anterior fórmula maneirista (ainda viva em obras da "escola de Óbidos" dos anos 20, como as de Belchior de Matos e as de João da Costa) e optavam por uma nova "construção" do espaço pictórico segundo cânones tenebristas, com um desenho naturalista, uma modelação luminosa, uma iconografia mais complexa, claramente afirmada em termos de Barroco peninsular. Foram essas características de "modernidade pictoral", tanto de Reinoso como de Baltazar, que interessaram à arte de Josefa, e que ela explorou com afinco no seu próprio "receituário". As "Naturezas Mortas" - as melhores são as dos "Meses", de 1668, dispersas por colecções particulares, as da Biblioteca Anselmo Braancamp Freire em Santarém, de 1676, a da Casa-Museu dos Patudos em Alpiarça, do mesmo ano, as do Museu Nacional de Arte Antiga, e a da Col. Armando Patrício - assumem-se mais no plano gracioso do decorativo, numa visão familiar das coisas, sem artifícios simbólicos mais complexos, revelando uma relação ternurenta e charoposa com as coisas simples: os barros e os doces regionais, as frutas, os peixes e as peças de caça, e as flores, sobretudo estas, tratadas com detalhismo apaixonado, multiformes, garridas, palpitantes de vida. Eram quadros altamente disputados, tanto no seu tempo, como pelo coleccionismo ulterior. Tais pinturas "de género" não traem uma influência directa da grande pintura de natureza morta espanhola, nem mesmo da visão naturalista de Baltazar (cujos "bodegones" conhecidos - o de Paris (1645), o do Museu Grão Vasco, o do Museu de Évora, e alguns outros em colecções particulares - são de facto notáveis testemunhos do mais erudito "bodegonismo"). Na realidade, a desenvoltura de Josefa revela uma visão imediatista, espontânea, quase "sem escola", do bodegón peninsular, que soube interpretar numa deliciosa maneira "sui generis". Também no retrato se expande a dimensão segura da artista dando crédito aos louvores de alguns autores antigos (Froes Perym, Murphy, Garett): de facto, o "Retrato do Beneficiado Faustino das Neves" (c.1670, museu de Óbidos) é excelente demonstração da arte retratística, na perfeita caracterização desse notável da vila de Óbidos, de vincados e tristes traços contra-reformistas. A dimensão deste "género" (em que a pintura portuguesa do Barroco mostrou ser particularmente feliz, através de nomes como Amaro do Vale, Domingos Vieira, o Escuro, José de Avelar Rebelo, André Reinoso, Feliciano de Almeida, o marquês de Montebelo ou António de Oliveira de Louredo, entre outros), encontrou em Josefa de Ayala - como este quadro excelente adverte sem rebuços - um dos seus altos representantes nacionais. Se as miniaturas cúpricas se refinam em delicadezas de misticismo sincero, nas suas Virgens com o Menino rodeados de grinaldas florais, Baptistas nuzinhos, santos de devoção doméstica, etc., as telas retabulares em que Josefa se empenhou nos anos maduros (caso da "Sagrada Família" do Bussaco, de 1664, da "Adoração dos Pastores" de Cós, de 1669, das célebres telas com a "Vida de Santa Teresa de Jesus" na Igreja Matriz de Cascais, pintadas em 1672, ou das telas da Igreja da Misericórdia de Peniche, encomendadas em 1679) traem com frequência deficiências de pincel e cansaços de "receita", num esgotamento visível de potencialidades que se transmite também a algumas versões tardias de "Meninos Jesus" desnudos, "pintados com bolinhos" (Manuel Rio de Carvalho) com as suas rendas e tules ou ataviados de adereços profanos com suas coroas de flores garridas, de sentido exclusivamente devocional. Após a morte de Baltazar Gomes Figueira (1674), a pintora deve ter tido necessidade de recorrer com mais frequência a encomendas públicas de pintura, a fim de garantir a subsistência da velha mãe D. Catarina e das duas sobrinhas orfãs que com ela habitavam na Rua Nova e na Capeleira. Tal necessidade poderá explicar a dureza crescente de algumas composições religiosas, e também de alguns "bodegones", muito embora sejam de fase tardia algumas das obras-primas de Josefa: a "Sagrada Família" do Museu de Évora, de 1674 (uma "Ceia" profana tratada "à la candela", de excepcional sabor simbólico e intimista) o "Repouso na Fuga para o Egipto" de colecção privada (seguindo modelo de Barocci imitado a partir de uma tela de Baltazar em Dagorda), as duas "Naturezas Mortas com doces e barros" de Santarém, 1676, a "Santa Face" (muito zurbaranesca) da Misericórida de Peniche, de 1679, a bela "Visitação" da mesma igreja (inspirada num original de Baltazar), etc. Josefa faleceu em 22 de Julho de 1684, com apenas 54 anos, sendo enterrada sob o altar de Nossa Senhora do Rosário da Igreja de S. Pedro de Óbidos, deixando bens medianos às suas duas citadas sobrinhas e à velha mãe D. Catarina, sua testamenteira. O inventário de bens da pintora, agora redescoberto e pela primeira vez estudado, melhor nos ilumina sobre o perfil provincial desta artista portuguesa cuja melhor virtude criadora se revelou, afinal, na ausência de uma aprendizado academista e na frescura de um estilo "fa presto" assaz personalizado no desenho de ar-livre e no cromatismo quente. Em suma: Josefa de Óbidos é a mais celebrada figura da arte portuguesa do século XVII. Pintora de assinaláveis merecimentos, quer ao nível da natureza morta, género em que a sua fama melhor perdurou, quer aos níveis da representação retabular sacra, do retrato, da gravura a buril, e da miniatura cúprica, a artista constitui um caso singular de representante das correntes plásticas naturalistas e tenebristas do Barroco, tendências essas então triunfantes no país vizinho e no grosso da Europa. Em boa hora o Instituto Português do Património Cultural e a Galeria de Pintura do Rei D. Luiz decidiram dedicar-lhe, e à época do Barroco português seiscentistas em que a sua actividade se insere, uma ambiciosa exposição retrospectiva. (...) Para que os objectivos definidos como base para esta exposição fossem atingidos, impôs-se cumprir no curso de vários anos uma persistente via de investigação em arquivos, colecções e recheios portugueses e espanhóis, uma análise metódica de centenas de peças tradicionalmente atribuídas a Josefa, e uma moroso processo de restauro científico das obras seriadas para amostragem. A "figura histórica" de Josefa de Ayala era, tal como a do seu obscuro pai, o pintor Baltazar Gomes Figueira, terreno privilegiado de lendas e sucessos fantasistas, que a consideravam ora uma discípula de Zurbarán senão de Breughels, ora uma artista viajante por Itália e pela Flandres, ora uma pintora oficial da corte, e - sempre - uma figura de vanguarda no quadro da pintura peninsular do Siglo d'Oro. (...) Um convite a todos, portanto para olharmos Josefa. O intimismo barroco provincial destas obras, explicada à luz da arte mais académica de Baltazar Gomes Figueira, seu único e verdadeiro mestre, aflora no certame e sublinha os valores precisos destas miniaturas em cobre, destes "bodegones", destas telas e tábuas de temário religioso, destas gravuras, deste retrato... O sentido de fruição da arte de Josefa de Óbidos sente-se, mesmo, examinando as obras mais displicentes, as de acabamento oficinal, ou as dos modestos epígonos, como o Alferes António Pinheiro Lago, de Tentúgal. No fundo trata-se de um receituário feito de pessoalismos veementes, de ternura pelas coisas simples, de sapiência original à margem de escolas: esse foi o segredo, e a base do génio, de Josefa de Óbidos." LINKS Natividade Mystical Marriage of St. Catherine _ same Mystical Marriage of St. Catherine (1647) _ In her sixteenth year Catherine di Benincasa [Siena 25 Mar 1347 Rome 29 Apr 1380] took the habit of the Dominican Tertiaries, and renewed the life of the anchorites of the desert in a little room in her father's house. After three years of celestial visitations and familiar conversation with Christ, she underwent the mystical experience known as the "spiritual espousals", probably during the carnival of 1366. She now rejoined her family, began to tend the sick, especially those afflicted with the most repulsive diseases, to serve the poor, and to labor for the conversion of sinners. Compare: |
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Born on 22 July 1898: Alexander Sandy
Calder, US kinetic artist, painter, sculptor and printmaker,
in love with the color red, who died on 11 November 1976. Sandy Calder was the son of Alexander Stirling Calder and grandson of Alexander Milne Calder who were both sculptors. Alexander "Sandy" Calder was born into a family of renowned artists who encouraged him to create from a very young age. As a boy, he had his own workshop where he made toys for himself and his sister. He received a degree in mechanical engineering in 1919 but soon after decided to pursue a career as an artist. Calder attended classes at the Art Students League in New York from 1923 to 1926, supporting himself by working as an illustrator. In 1926 Calder arrived in Paris where he developed his Cirque Calder,a work of performance art employing small-scale circus figures he sculpted from wire, wood, cloth, and other materials. Through these elaborate performances, Calder met members of the Parisian avant-garde. At the same time, Calder sculpted three- dimensional figurative works using continuous lengths of wire, which critics described as drawings in space. He explored ways to sculpt volume without mass and to captured the essence of his subject through an economy of line and articulated movement. Calder's wire works then became increasingly gestural, implying motion. By the end of 1930, this direction yielded his first purely abstract sculptures. After translating drawing into three dimensions, Calder envisioned putting paintings into motion. He developed constructions of abstract shapes that can shift and change the composition as the elements respond to air currents. These sculptures of wire and sheet metal (or other materials) are called "mobiles." A mobile laid flat exists only as a skeleton, a reminder of its possibilities, but when suspended it seems to come alive. Calder also developed "stabiles," static sculptures that suggest volume in multiple flat planes, as well as standing mobiles, in which a mobile is balanced on top of a stabile. Calder furthered his work by developing a monumental scale. His later objects were huge sculptures of arching lines and graceful abstract shapes that now inhabit public plazas worldwide. Calder was an artist of great originality who defined volume without mass and incorporated movement and time in art. His inventions redefined certain basic principles of sculpture and have established him as the most innovative sculptor of the twentieth century. Although Calder has no desire to imitate anything—his one aim is to create chords and cadences of unknown movements—his mobiles are at once lyrical inventions, technical, almost mathematical combinations and the perceptible symbol of Nature: great elusive Nature, squandering pollen and abruptly causing a thousand butterflies to take wing. In a time of constant artistic upheaval, Alexander Calder's aesthetic revolution concerned itself with a somewhat taboo topic in the art world— fun. His prolific and passionate output brought with it a humor and sense of play unlike any before. From a wire animal the size of a match box to a fountain filled with mercury to a seventy foot representation of a man in metal, Calder ignored the formal structures of art and in so doing redefined what art could be. Born in in Philadelphia, Calder came from a family of artists. Both his father and grandfather were well-known sculptors, and his mother was a painter. Throughout his young life, Calder was more interested in mechanics and engineering than art. After graduating high school he attended the Stevens Institute of Technology, receiving his degree in 1919. Within a short while, however, his creative energies turned toward art and he enrolled in the Art Student's League in New York. Working as a freelance illustrator, Calder began to paint and sculpt. Soon after his first one man show in New York, Calder left for Paris. |
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It was then that he began work on one
of his most famous projects, the Calder Circus. [video:
series of tiny stills not worth the download time, in my opinion]
The Circus was a miniature reproduction of an actual circus. Made
from wire, cork, wood, cloth and other easily found materials, the "Circus"
was a working display that Calder would show regularly. A mix between
a diorama, a child's toy, and a fair game, Calder's "Circus" found many
eager fans among the avant-garde. One of the methods used to create the
"Circus" was the bending of wire to form realistic figures. Drawn to
the ease and simplicity of it, Calder began to make wire portraits. A
combination of a line drawing and of sculpture, these instant portraits
represented a new possibility in three dimensional art. By the early 1930s Calder had brought his "Circus" to the United States and back, and was living in Paris off the proceeds of his regular performances. While regularly fixing and adding to the "Circus", Calder began to show and work on wire and wood sculpture as well as painting. It was around this time that he became interested in the work of the Surrealist painter Joan Miró and the modernist painter Piet Mondrian. Both men had gone beyond abstraction and were making paintings of colors and shapes with no direct reference to the outside world. Enthusiastic about this embrace of form and color, Calder began to make moving sculptures in a similar vane. Beginning with painted aluminum and wire, Calder created motored objects that could move to create different visual effects. In a short while, however, he realized that the mechanized movement didn't have the fluidity or the surprise he wanted in his work. He decided to let them hang and have the wind or a slight touch begin their movement. When the experimental French artist Marcel Duchamp saw them, he named them "mobiles" (a pun on the French for "to move" and "motive"). These new sculptures, arranged by the chance operations of the wind, went against everything that sculpture had been. They were not monumental, nor were they sober. They were simply about form and color and the joy in creating both. So, in his early thirties Alexander Calder had not only found a project he would continue for the rest of his life, he had created a unique form of art, the mobile. In 1933, Calder and his wife, Louisa James, moved to Roxbury, Connecticut, where they would spend the rest of their lives. Working on hundreds of small mobiles, Calder became interested in making large, more substantial works as well. Using similar colorful abstract forms, he made giant metal structures whose shapes and colors stood out bravely in both rural and urban settings. Known as "stabiles," these works often had a similar whimsical quality to the smaller kinetic pieces. By the time of his first major show at the Museum of Modern Art in 1943, Calder's quiet revolution was known internationally. Throughout the 1940s and 1950s he was commissioned to create site specific "stabiles" and had major retrospectives in a number of cities including Amsterdam, Berne, and Rio de Janiero. By 1970, Calder had reached the height of his fame. He had worked regularly creating thousands upon thousands of objects—everything from jewelry to children's toys to major monuments for the Lincoln Center in New York and UNESCO in Paris. That same year his gifts were honored again with a comprehensive show at the Guggenheim Museum and a smaller one at the Museum of Modern Art. In 1976, Alexander Calder died. Throughout his life, his commitment to creating work free from the pretensions of the art world and accessible to all, never stopped him from making exquisitely beautiful and important sculpture. In a century that saw the forms of art and literature reinvented regularly, Alexander Calder stands out as one of the great pioneers of his time. LINKS Lollipops (1976, 69x93) Papillon (1975, color lithograph 65x98cm) Flying Colors (1976, color lithograph 62x88cm) (family portrait?) untitled plate at p. 29 in the book Homage to Calder (1972, 32x25cm) Homage to Calder (1972, book cover with color lithograph, 32x25cm) Composition, p. 61, from the book Prints (1964) Sculpture photos on front and back covers of book Alexander Calder 1898-1976 Sculpture photo on front cover of book Calder in Connecticut |